Aquele lugar era imenso, como uma igreja, cheia de detalhes bonitos e brilhantes. Todos os dias um pequeno garoto olhava aqueles detalhes e ficava pensando em seu misterioso passado, pois não sabia sua origem. Seu nome é Francis Evans e está apenas na segunda série, no orfanato de Saint Mary em Liverpool.
Sua irmã mais velha se chama Valentyne Evans e é muito rebelde e teimosa. Está na sexta série e sempre arranja confusão, sempre falando de um objetivo que tenta conseguir desde que entraram no orfanato, mas nunca detalhava o que era. Francis ainda olhava para o nada no pátio na hora do intervalo, observando os outros "irmãos" sendo vigiados pelas freiras. O lado Sul do orfanato era apenas o dormitório os meninos, e o das meninas era o Leste, o Oeste ficava a administração do lugar e a Norte estava a escola.
Tudo aquilo para Francis era triste e ele sempre recusava em acreditar que aquilo era verdade, pensava que estava sonhando profundamente e queria acordar logo. Ou aquele lugar era um castigo de Deus, mas não sabia o que havia feito para tamanho destino. Quando a freira veio chamar todos para as suas salas, Valentyne acenou para seu irmão e o puxou até uma área secreta perto do pátio.
-Precisamos sair daqui, eu não aguento mais esse lugar!
-Mas Valentyne, a Irmã Margarett já te colocou de castigo ontem, você teve que rezar o terço dez vezes.
-Isso não importa, se eu ficar aqui com elas mais um pouco eu vou enlouquecer.
-Shh! Está vindo alguém! - Os dois se esconderam atrás de uma sombra causada pela coluna do pátio.
De fato, era a Irmã Margarett. Ela era a Irmã mais durona do Orfanato, dizendo que os orfãos deveriam ser crianças amaldiçoadas por Deus - ou foram más para seus pais e depois abandonadas, ou os pais foram mortos por puro merecimento. Francis achava ela cruel e tinha muito medo, por isso sempre vivia isolado. Margarett estava com uma vara na mão, andando pelos corredores feito uma segurança. Na época, os tratamentos com abandonados e orfãos eram rígidos e cruéis, estavam apenas no final do séc XIX. Tudo naquele lugar parecia dar medo, as crianças tinham cara de assustadas, poucas brincavam, e as que brincavam eram punidas na maioria das vezes.
-Olha Francis, eu prometo que amanhã nós vamos sair daqui, custe o que custar. Apenas temos que ir no prédio do Padre Rudolf e procurarmos algos sobre a Mamãe!
-Mas não sabemos onde eles estão. E como iremos até lá!?
-Amanhã aqui, as cinco da manhã, uma hora antes das irmãs tocarem o sino. Vamos apostar tudo nessa fuga!
-Mas eu estou com medo Valentyne!
-Eu sei, é o único jeito de vivermos de uma forma melhor.
-Tudo bem, vamos para a aula, senão seremos punidos!
-Até amanhã, nesse mesmo horário. E irmãozinho, eu te amo!
-Eu também, vou rezar a noite para que tudo dê certo.
-Eu também Francis, eu também.
A aula do dia havia acabado, e já era tarde aos olhos de Francis, que estava cansado. Ainda havia o momento de estudo e depois o jantar. Tudo ocorria bem naquele momento enquanto pensava no plano de sua irmã, "ela só pode estar louca, mesmo se conseguíssemos, para onde iríamos?" pensou. E quando se deitou na cama após a oração da noite, custou-lhe para cair no sono, pois estava perdido em seus pensamentos, estava com medo e ansioso, até que conseguiu cair no sono.
Ele estava caindo de um lugar vazio e todo azul, parecia o céu com nuvens, porém era frio e escuro. Talvez uma pessoa perdida em seus pensamentos se sentisse assim até mesmo dormindo. O que
conseguia ver era nuvens e nuvens, até que tudo começou a clarear. Estava num quarto escuro e a porta estava quase fechada, só um feixe de luz entrava pela fresta, e notou que Valentyne estava no canto olhando
pela brecha da porta, tentando ver o que estava acontecendo. Francis tentou ver também mas tudo o que conseguia enxergar eram duas pessoas sentadas em uma mesa discutindo. "Quem são eles?" pensou, pois até
começar a cutucar sua irmã, ela disse:
-Shh, Francis, não faça barulho.
-O que está acontecendo? - Mesmo quando falava ele notava que sua irmã não o entendia, até perceber que Valentyne e ele ainda eram bebês. "Talvez seja um fragmento profundo da minha memória", então escutou:
-Não podemos mais cuidar deles, não foi isso que escolhi para mim!
-Mas amor!?
-Sem mais! Eu tenho um sonho e não deixarei que nada mais me atrapalhe!
-Pare de ser egoísta! Eles são apenas crianças!
-Mas eu não desejei isso, fomos irresponsáveis, eu estava tentando dar o meu melhor para ser um bom pai, mas isso não pode impedir que eu realize meu sonho!
-Eu não entendo, como isso pode ser tão importante?!
-Porque foi esse objetivo que me ajudou a seguir em frente, e não quero que eles sofram mais do que o futuro os aguarda.
-Como assim?!
-Vamos deixá-los em um orfanato bem longe daqui.
-Volthier! Como pode ser tão frio até mesmo com seus filhos!
Nesse momento Francis percebeu que Valentyne estava chorando silenciosamente, ele queria fazer algo para ajudá-la mas nada podia fazer, tudo aquilo era forte demais para uma pequena garotinha e isso pode ter ajudado ela a ter ficado tão rebelde. Um barulho o acordou do sono e, assustado, foi ver a janela. De fato não era nada além de uma chuva. Olhou ao relógio e via que apenas faltava 20 minutos para as cinco da manhã. Francis ficou desesperado e trocou de roupa muito rápido. Silenciosamente, sem acordar seus "colegas de quarto", vestiu seu uniforme de escola, era a única roupa que tinha além de seu pijama, nenhum
menino tinha uma roupa além do uniforme do orfanato, que era uma calça azul marinho com sapatos de couro brilhantes e exagerados demais para uma criança. Abotoou sua camiseta e saiu sem fazer nenhum barulho, atento para não chamar a atenção de nenhuma freira. Além da Margarett pegar no pé das crianças o dia todo, vigiava um pouco no turno da noite, e Francis sempre se perguntava de onde vinha tanta vontade em perseguir crianças. Chegando ao local marcado, viu que Valentyne estava toda ferida lhe esperando.
-O que houve?
-Nada demais, só caí da escada ao descer do dormitório, mas ainda bem que ninguém acordou. Pronto?
-Espero que nada aconteça com a gente.
-Não irá, vamos logo antes que seja tarde!
Eles saíram escondidos em direção ao prédio onde dorme o Padre Rudolf. Valentyne lhe deu uma capa preta com capuz, para dificultar de alguém os acharem. Ao se aproximarem de uma janela aberta, perceberam que era o quarto do Padre, então decidiram entrar cautelosamente.
-Como esse Padre ronca. - Comentou Valentyne com voz baixa.
-Fica quieta, ele pode ter uma apnéia e acordar. - Completou Francis
-O que é isso?
-Você tem 12 anos e não sabe disso? É quando uma pessoa para de respirar enquanto dorme, isso poderia resultar até em morte.
-Você anda lendo livros demais.
-Andei fuçando nos livros do Professor Mason, ele costumava me emprestar uns livros pelas minhas notas altas em ciências.
-Como se você não fosse um puxa saco.
-Não sou, e vamos logo!
Valentyne deu um passo e a madeira velha do assoalho soltou um ruído, fazendo o Padre se mexer na cama. Isso os fizeram ficar paralizados por minutos, pois se fossem pêgos, poderiam ser torturados até a morte. Saindo pela porta oposta do quarto cautelosamente, conseguiram alcançar a secretaria, um lugar empueirado e abandonado que chegava a dar arrepios em Francis e sua irmã.
-O que exatamente estamos procurando? - Perguntou Francis.
-Uma pasta com nossos nomes, ela deve estar em alguma estante ou gaveta, procure cautelosamente.
-Ok.
Depois de procurarem por meia hora, ficaram desesperados, até Francis encontrar a tal pasta.
-Achei!
-Shhhhhhhhh! Não fale alto, isso pode acordar o senhor roncão!
-Desculpe! Aqui diz só algumas coisas como: "Francis e Valentyne Evans, entregues ao Ofanato Saint Mary no dia 21 de março de 1889, Responsáveis..."
-Responsáveis o quê?!
-Não diz nada!
-Deixa-me ver! - Valentyne pegou a pasta da mão de Francis com uma força que o fez entender que o ódio estava dominando a sua cabeça.
-Responsáveis... Está meio apagado. - Disse ela estreitando os olhos. - Molly Evans e Vol alguma coisa Howlett. - Nesse momento Francis ficou perpléxo, será que aquele sonho que teve mais cedo era real como um fragmento de memória de verdade?
-Francis, o que foi?
-Não, não foi nada, diz o endereço ou alguma coisa?
-Não, além de... Espere aí. Tem sim, um endereço em Canvey Island.
-Mas é a quilômetros daqui.
-Quando viemos para cá, foi uma viagem de dias, e viemos em uma carroça.
-Entendi, você lembra de quando chegamos aqui?
-Um pouco, só não lembro dessa cidade...
-É a nossa única chance, vamos nessa!
-Aonde vocês pensam que vão? - Uma voz grossa, do nada, veio do corredor. Era o Padre Rudolf com uma bengala na mão se aproximando deles.
-Corre Francis!
-To Be Continued...
ESCRITO POR: JUNINHO
Excelente
ResponderExcluirpassa no meu blog : vidadefuinha.blogspot.com